A SAÍDA DO ARMÁRIO E A APOLOGIA DO NEUTRO
Há dias a secretária de Estado, Graça Fonseca, assumiu a sua homossexualidade. Este ato deve ter, em primeiro lugar, um efeito libertador no sujeito. Não é por acaso que o conceito de «sair do armário» remete para um cenário de encobrimento e claustrofobia. Ora, numa sociedade suficientemente aberta e plural para que se seja senhor(a) de si e em que os direitos dos sujeitos LGBT estão devidamente garantidos, a sexualidade não deve ser transportada para a utilidade política. Nem pardais de capela nem foliões de desfiles. Quer isto dizer que em Portugal falta encontrar um equilíbrio capaz de tornar a sexualidade um «não-assunto» e a existência de movimentos de defesa das liberdades e individualidades algo desnecessário. Compreende-se que uma sociedade será tanto mais equilibrada e justa quanto maior for o gozo da autodeterminação em matérias próprias, como a sexualidade ou a morte. Quando, por proposições sociais alavancadas em dogmas de fé, se pretende determinar a dignidade ou não do «...