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A mostrar mensagens de agosto, 2017

A SAÍDA DO ARMÁRIO E A APOLOGIA DO NEUTRO

Há dias a secretária de Estado, Graça Fonseca, assumiu a sua homossexualidade. Este ato deve ter, em primeiro lugar, um efeito libertador no sujeito. Não é por acaso que o conceito de «sair do armário» remete para um cenário de encobrimento e claustrofobia. Ora, numa sociedade suficientemente aberta e plural para que se seja senhor(a) de si e em que os direitos dos sujeitos LGBT estão devidamente garantidos, a sexualidade não deve ser transportada para a utilidade política. Nem pardais de capela nem foliões de desfiles. Quer isto dizer que em Portugal falta encontrar um equilíbrio capaz de tornar a sexualidade um «não-assunto» e a existência de movimentos de defesa das liberdades e individualidades algo desnecessário. Compreende-se que uma sociedade será tanto mais equilibrada e justa quanto maior for o gozo da autodeterminação em matérias próprias, como a sexualidade ou a morte. Quando, por proposições sociais alavancadas em dogmas de fé, se pretende determinar a dignidade ou não do «...

A saída do armário e a apologia do neutro

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  Há dias a secretária de Estado, Graça Fonseca, assumiu a sua homossexualidade. Este ato deve ter, em primeiro lugar, um efeito libertador no sujeito. Não é por acaso que o conceito de «sair do armário» remete para um cenário de encobrimento e claustrofobia. Ora, numa sociedade suficientemente aberta e plural para que se seja senhor(a) de si e em que os direitos dos sujeitos LGBT estão devidamente garantidos, a sexualidade não deve ser transportada para a utilidade política. Nem pardais de capela nem foliões de desfiles. Quer isto dizer que em Portugal falta encontrar um equilíbrio capaz de tornar a sexualidade um «não-assunto» e a existência de movimentos de defesa das liberdades e individualidades algo desnecessário. Compreende-se que uma sociedade será tanto mais equilibrada e justa quanto maior for o gozo da autodeterminação em matérias próprias, como a sexualidade ou a morte. Quando, por proposições sociais alavancadas em dogmas de fé, se pretende determinar a dignidade ou não do...

Porque te odeio, Agosto.

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  Dado à nostalgia, quer como sentimento quer como tema de olhar científico, não posso deixar de ter uma relação emocional com as estações. Por sua natureza cíclica, elas remetem-nos para as paisagens da memória, para a recuperação dos fragmentos que reatualizamos pelo gesto saudosista. Como afirma Stephen Legg, no seu texto "Reviewing geographies of memory/forgetting" , cada recordação é uma recordação tanto do evento em si quanto da última vez que o mesmo foi lembrado. Por essa mesma razão, a memória é uma sobreposição de memórias, um processo cumulativo. Quando regressamos, sucessivamente, a lugares onde fomos felizes (e sabemos que há quem nos aconselhe a não o fazer) somos confrontados com as vicissitudes do tempo, com as marcas impressas em nós e nos lugares, forçando-nos a paisagem a recordar o que já ali vivemos. É por isso que a memória tende a necessitar da bengala do espaço para se fazer ouvir. É por tudo isso que odeio tanto Agosto, apesar de adorar o frenesim dos...