Um político não é um abajur
Já li por aí que deveria haver uma candidata cigana às presidenciais. Eu sou a favor da representação política, mas não gosto nada desta nova trend de gnomos de jardim — pessoas que lá estão para representar uma ideia, mesmo que elas mesmas não tenham ideias. Este modelo do político-símbolo (muitas vezes fantoche) não serve para empoderar nenhum grupo com menor visibilidade, mas antes para tornar o campo político ainda mais um espaço de entretenimento. É preciso integração e representação sem objetificação. Se movimentos ou partidos de esquerda enveredarem por escolhas em função da semiótica e não das competências dos sujeitos, não estarão a fazer mais do que coisificar pessoas, aplicando a receita do colonialismo de forma invertida.