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A mostrar mensagens de abril, 2013

Um Portugal de Abril

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Samuel P. Huntington teorizando sobre as "vagas de democratização" expõe-nas como: “transições de regimes não democráticos a democráticos que ocorrem dentro de um período específico de tempo e que excedem significativamente as transições no sentido oposto durante esse período de tempo. Uma vaga também envolve normalmente a liberalização ou parcial democratização de sistemas políticos que não se tornam plenamente democráticos” (1991:579). Esta última afirmação transparece, de algum modo, a realidade portuguesa. Com o 25 de Abril de 1974 Portugal transita para o pós-Estado Novo mas não necessariamente para a democratização absoluta, embora Huntington considere a data como o marco da terceira vaga global.  No entanto, quando olhamos o que foi feito e o que ainda está por fazer desde 1974 encontramos um país demasiadamente marcado por tiques do outro regime político, por um modelo de governação de compadrios e por uma nostalgia perigosa do Estado Novo. A eleição de Salazar como o...

E a poesia, ainda existe?

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Para além da música é na poesia que encontro o mais nobre da humanidade. Talvez seja um defeito de quem se expressou, ab initio , pela poesia e se fez sempre acompanhar pela música. E a arte das palavras ordenadas em ritmo e na verticalidade do espaço é parente próximo. No entanto há qualquer coisa de profundamente trágico no reconhecimento  post-mortem que regra-geral habita a vida do poeta, tanto quanto a do compositor ou do pintor, ao mesmo tempo que o mundo dos livros pouco se apraz com tal arte das musas entregando-se melhor ao comercial que mantém o negócio vivo. Por isso a poesia quase não existe a não ser em recantos literários de nós mesmos ou clubes de poetas e memórias históricas. A poesia é chata, no mesmo nível que são os livros e filmes que nos obrigam a pensar. No entanto a poesia é como um rio estancado por um muro - mais tarde ou mais cedo rebenta e flui quando assim o tiver de ser.

A Humanidade Perdida

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Visitei o pequeno e modesto museu The People's Story Museum of Edinburgh . A modéstia do museu traja perfeitamente com aquilo que por ali se mostra: the scottish themselves, como fiz questão de deixar no  guestbook . Afinal de que se faz um país senão das suas gentes? A importância dos museus etnográficos está  per si evidente. Mas porque vivo num país em decadência, aquilo que por ali se mostrava deixou-me a pensar na degradação do humanismo em tempos que correm, depois dos séculos negros das clivagens sociais.  Les Misèrables começam a emergir dos becos da nossa sociedade. E a burguesia dos  self-made men (a classe média) que alimentava as sociedade tornou-se o alvo dos tiranos.  Pecadores, vós, que consumisteis mais do que poderieis pagar , atiram aqueles que fomentaram o consumo e emprestaram o dinheiro para isso e que foram em casa nacional despesistas mais que os restantes. A carta fundadora da doutrina social da Igreja Católica,  Rerum Novarum , está cada vez mais atual, ...