E a poesia, ainda existe?


Para além da música é na poesia que encontro o mais nobre da humanidade. Talvez seja um defeito de quem se expressou, ab initio, pela poesia e se fez sempre acompanhar pela música. E a arte das palavras ordenadas em ritmo e na verticalidade do espaço é parente próximo. No entanto há qualquer coisa de profundamente trágico no reconhecimento post-mortem que regra-geral habita a vida do poeta, tanto quanto a do compositor ou do pintor, ao mesmo tempo que o mundo dos livros pouco se apraz com tal arte das musas entregando-se melhor ao comercial que mantém o negócio vivo. Por isso a poesia quase não existe a não ser em recantos literários de nós mesmos ou clubes de poetas e memórias históricas. A poesia é chata, no mesmo nível que são os livros e filmes que nos obrigam a pensar. No entanto a poesia é como um rio estancado por um muro - mais tarde ou mais cedo rebenta e flui quando assim o tiver de ser.

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