Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2021

E se a polarização for um algoritmo?

No meio académico tornou-se mais ou menos consensual que o processo de emergência da Nova Direita (muito mais saliente do que na Nova Esquerda) populista e radical (não raras vezes de extrema-direita reconfigurada) ancora-se em fatores economicistas e sociológicos, nomeadamente as crises económicas, as crises dos refugiados e a doutrina de que a globalização, com o seu fluxo permanente de povos migrantes, era acolhida pelas populações mais vulneráveis e mais idosas como um desestabilizador dos recursos e um desagregador da unidade cultural do país. Víamos os discursos populistas como arreigados a uma lógica emergente antissistémica, antielitista, e afirmada numa clássica dicotomia “nós” contra “eles”, geralmente traduzida na tensão entre cidadãos de bem (nas versões anglo-saxónicas   ou   we, the people)   contra os corruptores da sociedade, sejam eles uma elite intelectual esquerdista, sejam os imigrantes como usurpadores dos empregos e serviços sociais. Este descontentamento generali...

E AGORA, PEQUENA BRETANHA?

Tanto o mito da grandeza quanto da autossuficiência britânicas foram construídos sobre alicerces de barro. O “orgulhosamente sós” da “Ilha” só funcionou, enquanto ideologia nacionalista, enquanto foi possível sustentar o isolacionismo à custa dos recursos das colónias. O próprio orgulhoso exército britânico foi-o, em boa medida, à custa das vidas apagadas daqueles que vieram da Índia e demais colónias. Mas a Grã-Bretanha (leia-se a Inglaterra) jamais se dispôs a se confrontar com a sua história, com o facto de que a sua riqueza e grandeza se edificou por meio do seu imperialismo. Como os demais países envolvidos no tráfico de escravos, plantações e colonialismo, jamais aceitou que a sua posição atual se deve, sobretudo, à sua circunstância exploradora. A crença num dever civilizador serviu de legitimação às práticas colonialistas que ainda vigoram como princípio identitário britânico. Esse esquecimento intencional é responsável pela edificação de uma memória coletiva idealizadora da br...

E agora, Pequena Bretanha?

Imagem
Tanto o mito da grandeza quanto da autossuficiência britânicas foram construídos sobre alicerces de barro. O “orgulhosamente sós” da “Ilha” só funcionou, enquanto ideologia nacionalista, enquanto foi possível sustentar o isolacionismo à custa dos recursos das colónias. O próprio orgulhoso exército britânico foi-o, em boa medida, à custa das vidas apagadas daqueles que vieram da Índia e demais colónias. Mas a Grã-Bretanha (leia-se a Inglaterra) jamais se dispôs a se confrontar com a sua história, com o facto de que a sua riqueza e grandeza se edificou por meio do seu imperialismo. Como os demais países envolvidos no tráfico de escravos, plantações e colonialismo, jamais aceitou que a sua posição atual se deve, sobretudo, à sua circunstância exploradora. A crença num dever civilizador serviu de legitimação às práticas colonialistas que ainda vigoram como princípio identitário britânico. Esse esquecimento intencional é responsável pela edificação de uma memória coletiva idealizadora da br...