E se a polarização for um algoritmo?
No meio académico tornou-se mais ou menos consensual que o processo de emergência da Nova Direita (muito mais saliente do que na Nova Esquerda) populista e radical (não raras vezes de extrema-direita reconfigurada) ancora-se em fatores economicistas e sociológicos, nomeadamente as crises económicas, as crises dos refugiados e a doutrina de que a globalização, com o seu fluxo permanente de povos migrantes, era acolhida pelas populações mais vulneráveis e mais idosas como um desestabilizador dos recursos e um desagregador da unidade cultural do país. Víamos os discursos populistas como arreigados a uma lógica emergente antissistémica, antielitista, e afirmada numa clássica dicotomia “nós” contra “eles”, geralmente traduzida na tensão entre cidadãos de bem (nas versões anglo-saxónicas ou we, the people) contra os corruptores da sociedade, sejam eles uma elite intelectual esquerdista, sejam os imigrantes como usurpadores dos empregos e serviços sociais. Este descontentamento generali...