OLHARES SOBRE A EMIGRAÇÃO
Portugal é um país de gente que parte em busca de melhores condições de vida. Gente que levava na mala de cartão os poucos pertences, ao peito a saudade e no bolso o bilhete. Por isso o português é um indivíduo que sabe o que é sair do país natal em busca de melhores condições de vida. Sempre foi, também, um país que acolhe bem. Mas, então, porque é um país que lida mal com a nova imigração? A justificação parece-me residir, muito antes e muito mais do que na xenofobia, no olhar sobre o que configura a emigração e o papel social do emigrante. Ao longo de décadas, os portugueses adotaram, fruto do fosso existente entre o Portugal do Estado Novo e do pós-25 de Abril e a Europa, da sua baixa escolaridade e ausência "de mundo", uma posição de acomodação aceitacionista, ou seja, habituaram-se a verem-se como residentes de empréstimo, cidadãos de segunda, com deveres e poucos direitos, em países que não eram os seus. Trabalhar e não dar nas vistas, era um lema de um povo habituado ...