Onda Conservadora

Portugal não poderia ser impermeável às guerras culturais. Debates sobre a memória histórica nacional e disputas sobre a moral social, entre uma esquerda é uma direita pós-materiais e identitárias, mobilizam a sociedade de forma contundente, derrogando o primado do chão comum democrático. Tal facto é progenitor de uma onda progressista, voltada à descolonização da cultura, à cidadania global e ao ativismo das minorias, e de uma onda conservadora, voltada aos valores idealizados da pátria, da família tradicional, da moral e bons costumes cristãos, com uma dose de fechamento ao pluralismo. Em Portugal, essa onda conservadora, inscrita sobretudo no Chega, recupera muito do imaginário de ser português edificado pelo Estado Novo. Curiosamente, verifica-se uma adesão em grande escala de jovens, mais do que oriundos de franjas brancas desfavorecidas, oriundos de classes sociais mais elevadas, que reivindicam uma identidade Deus, Pátria e Família para Portugal. Isto significa que o Chega tomou o território do CDS, dando-lhe uma dimensão mais combativa, própria do “ar do tempo”.

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