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A mostrar mensagens de novembro, 2022

Fardas e Fardados

A questão do ódio racial nas forças de autoridade não é de somenos importância, nem deve ser tratada de ânimo leve. Precisamos ter presente, em primeiro lugar, que se trata de agentes armados e com o monopólio da violência no espaço público, em nome do Estado. Nesse sentido, é preciso ter absoluta confiança no cumprimento do dever e no respeito pelos cidadãos e os seus direitos. Isto significa, quer queiramos ou não, formar bons agentes, e isso passa por um investimento que começa nas escolas e academias e acaba na qualidade das instalações, segurança laboral e condições salariais. Portanto, o número de agentes ligados a discursos e crenças racistas, misóginas e outros preconceitos é um problema estrutural, não pela quantidade, mas antes pela questão do monopólio da violência e porque reflete um problema de fundo nas sociedades ocidentais: o ressentimento e o estigma são ferramentas de autosatisfação e pertença, porque se baseiam num ódio a um outro que se encontra abaixo na escala soc...

Polícia na Faculdade de Letras

A emergência climática não é um assunto de somenos importância. E mesmo que o fosse, não legitima a presença policial nos espaços da universidade, uma clara violação do disposto no artigo 45.°/2 da CRP. Vale lembrar, nesta matéria, Melo Alexandrino (2014: 86), para quem a liberdade de manifestação serve de sensor para a natureza do regime político. A partir daqui nada mais há a dizer, só invocar as imagens do antigo regime. [adenda: obrigado à equipa de Blogs do Sapo pelo destaque deste post]

A Leveza do Mérito

O mérito é a manifestação dos princípios   republicanos da universalidade e da não hereditariedade. O problema é que o mérito está desvirtuado pela estrutura social moldada pela classe. O sucesso e a vida política deixando de ser um privilégio de sangue passaram a ser um privilégio burguês. O universalismo está por cumprir enquanto as condições de partida não forem equilibradas. Enquanto o jovem pobre, que precisa de apanhar 3 transportes públicos e não tem dinheiro para livros competir com o jovem da Quinta da Marinha.

Lula venceu, a democracia não ganhou e amanhã não sabemos se o sabiá canta.

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(texto escrito na alvorada da vitória) Lula ganhou, mas não venceu. Os resultados deixam o país na mesma fissura e sem particulares hipóteses de reconciliação. É um país sem vasos comunicantes. Se o Senado é de forte expressão bolsonarista, com as presentes eleições vimos São Paulo eleger e Rio de Janeiro reeleger governadores de igual tendência, com Haddad, potencial sucessor de Lula a perder em território paulista e ficando sem capital político para o futuro. Nas ruas a narrativa do presidente-bandido prevalece entre o eleitorado branco, evangélico e de classe média. Os casos que indiciam corrupção, formação de milícia e violação de direitos humanos na era Bolsonaro não produzem efeito de afastamento de um eleitorado arregimentado. Uma vez mais, o Brasil é uma cópia adaptada dos EUA. Mesmo Lula tendo o apoio dos evangélicos moderados e de boa parte da elite económica e empresarial, facto que inviabiliza qualquer fantasia de venezuelização do país (que nunca ocorreu), a verdade é que ...