Fardas e Fardados
A questão do ódio racial nas forças de autoridade não é de somenos importância, nem deve ser tratada de ânimo leve. Precisamos ter presente, em primeiro lugar, que se trata de agentes armados e com o monopólio da violência no espaço público, em nome do Estado. Nesse sentido, é preciso ter absoluta confiança no cumprimento do dever e no respeito pelos cidadãos e os seus direitos. Isto significa, quer queiramos ou não, formar bons agentes, e isso passa por um investimento que começa nas escolas e academias e acaba na qualidade das instalações, segurança laboral e condições salariais. Portanto, o número de agentes ligados a discursos e crenças racistas, misóginas e outros preconceitos é um problema estrutural, não pela quantidade, mas antes pela questão do monopólio da violência e porque reflete um problema de fundo nas sociedades ocidentais: o ressentimento e o estigma são ferramentas de autosatisfação e pertença, porque se baseiam num ódio a um outro que se encontra abaixo na escala soc...