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A mostrar mensagens de setembro, 2023

Brasil das guerras culturais

O Brasil é, hoje, o exemplo mais completo da afirmação definitiva das guerras culturais como paradigma da vida política. Num país com índices de pobreza, fome, exclusão social e económica elevadíssimos, as batalhas voltaram-se para as questões morais , com uma luta intensa ao casamento homoafetivo, usando a Bíblia como instrumento e derrogando a separação de poderes e a laicidade .

Esvaziar a democracia

Descredibilizar os partidos, os oponentes, esvaziar espaços políticos, fazer da política um espetáculo de ofensas, agir em função da visibilidade mediática, esvazia a democracia, e ao fazer isso oferece à população a ansiedade por uma liderança carismática e não-democrática/liberal-social.

a teoria é sempre relativa

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A teoria é um instrumento de tradução dos fenómenos, um mapa para entender e analisar a realidade. Em ciências sociais, sobretudo, tem a limitação do olhar, da ideologia, dos seus fazedores, embora sujeitos treinados. No entanto, o próprio treino é um condicionamento do olhar. Se durante demasiado tempo tivemos um olhar preso ao etnocentrismo ocidental, ao patriarcado judaico-cristão e a sua visão supremacista cultural, a teoria crítica revolucionou a ciência ao oferecer um olhar desconstruído e descolonial. No entanto, ao se estabilizar como cânone teórico, foi perdendo o seu sentido de revisão para se tornar num dogma teórico que determina o campo da ação política, de modo essencialista. O que é uma enorme pena.

da identidade de género

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Não tenho problemas com a questão da identidade de género, e percebo a argumentação teórica de que o género é uma construção social, até porque, como já referi antes, há povos africanos onde a idade do corpo é mais importante do que a genitália, ou seja, é a idade que determina os papéis sociais, além de que o feminino e o masculino são papéis negociados e não plásticos. Contudo, tenho reservas quanto ao modelo sócio-teórico em que vivemos, no qual o que se sente é sempre uma verdade incontestável e um dado adquirido. Por isso, não me opondo à mudança de identidade de género e a cirurgias de transformação biológica, defendo que estas devem acontecer numa fase adiantada da adolescência [o caso adquire contornos diferentes quando se manifesta em idade infantil], após profundo acompanhamento e avaliação psicológica. Não pode ser uma decisão de impulso, dado o problema de sérias consequências físicas numa possível reversão e não pode a família ser excluída do processo – nos EUA nos pais sã...

setembro

As primeiras chuvas apressadas de Outono. Os dias mais curtos, mas ainda com cheiro de Verão. As primeiras mantas na cama e os últimos mergulhos. A promessa de um novo recomeço, as mochilas e cadernos. As memórias de escola. Setembro de mil datas pessoais. Setembro, sê bem-vindo.