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A mostrar mensagens de setembro, 2017

A mudança de sexo aos 16 anos

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 © TheFoxAndTheRaven Ao contrário do que afirma Pedro Afonso , médico psiquiatra que, muito provavelmente, segue uma escola próxima àquela que considerou, durante décadas, as religiões não-cristãs uma patologia social, e os fenómenos de transe religioso casos de histeria ou esquizofrenia, a diversidade de género não remete para um ideologia. Mesmo que o psiquiatra não queira, o género é um dado natural, respeitante à natureza psico-emocional dos sujeitos. Em rigor, aquilo que a Antropologia nos tem dado a compreender, felizmente, é que o género tem sido condicionado, ao longo da história, por atavismos culturais. Ao contrário do que querem fazer crer os mais conversadores -- para quem a sociedade é concebida como estanque  --, a apologia da liberdade sexual e da diversidade de género, não resulta de uma predisposição política eufórica da «esquerda» com fins eleitorais, muito menos com o propósito de "acabar com os rapazes e as raparigas", para citar Pedro Afonso. As palpitaçõ...

O racismo que parece não haver

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           Joana Gorjão Henriques tem feito um excelente trabalho, trazendo ao Público e a público, fenómenos que contradizem um mito racial em Portugal. O país dos brandos costumes tem em si muitos preconceitos, mesmo que os vá manifestando brandamente. Ser-se cristão, branco e falar português são indicadores essenciais para a aceitação mais alargada do imigrante. Efetivamente sabemos que o francês, o inglês ou alemão que vem viver para Portugal não é um «imigrante», é um francês, inglês ou alemão que veio viver para Portugal. Imigrante não é o Monsieur Cantona ou a Madonna, são o Sergiy, o Weverson ou o Djaló.            A histórica presença africana em Lisboa, que Isabel Castro Henriques tem batalhado para fazer caber na memória histórica nacional, é um facto ignorado, silenciado em favor de uma narrativa, daquilo que Triaud chama de memória instituída e que é, toda ela, politicamente intencional. Não é, pois, de estranhar ler posições de pessoas notoriamente (o notoriamente deriva...

Educar para o açúcar

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 O açúcar é, reconhecida e unanimemente, a droga do nosso século, e o maior veneno que consumimos, estando associado a uma percentagem elevadíssima de doenças, inclusive o cancro. No entanto, a indústria alimentar, que não tem ética nem se compadece com mais do que o lucro, sempre fez questão de nos viciar através do açúcar. É absurdo que papas para bebés e crianças, como a Nutriben e a Cerelac contenham mais açúcares por 100g (35g) do que cereais par a adolescentes e adultos (Fitness 20g, Nesquik 25g, Golden Grahams 25g, Jordan's 15g, Muesli IKEA 11g). Há uma clara intenção de viciação, extremamente cómoda para os pais pois os filhos comem com gosto, ingerindo açúcar e tornando o seu organismo dependente. Mais tarde terão o vício ampliado com doces de toda a ordem, chocolate, refrigerantes e tantas outras coisas. A cultura do açúcar está impregnada na nossa sociedade, sendo extremamente grave que cereais ou bolachas, por exemplo, com mais açúcares são as mais baratas.  Há 50 anos ...

Ainda o Género e o Neutro

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Uma sociedade não reflete ideologias concebidas em escritórios, gabinetes ou laboratórios. Uma sociedade é muito mais plural que o esquema "nós e os coitadinhos" concebido no altar do CDS e de uma franja significativa do PSD. Uma sociedade é movimento, por isso os conceitos de análise sociológica são transformações, ressignificações, mudança, acomodação, negociação, hegemonia, poder, entre outras. Dito isto, não há uma coincidência entre o ideal conversador de sociedade e a realidade propriamente dita. Não interessa que não se aceite a diversidade sexual, de género ou religiosa, a diversidade é um facto social. Ora «diversidade» é a chave de uma sociedade. Por isso a transformação de uma sociedade de diversa em unívoca é um ato de poder e ideologia. Quando à luz do respeito pela diversidade se subtrai o diverso para instalar o «neutro» estamos a passar de uma hegemonia para outra. Quando se ataca uma barbearia por não atender mulheres, mas nada se diz sobre um brunch que inte...