O CENTRO ISMAILI NÃO DEVE SER O CENTRO DE UM PÂNICO SOCIAL
O ataque ocorrido hoje, no Centro Ismaili de Lisboa, convoca um conjunto de questões. Em primeiro lugar, a difícil tarefa de desassociar o acontecimento da questão migratória, facto que é essencial, atendendo que o caso tem vocação para a instrumentalização política. Como mostra a literatura especializada (e cito a título de exemplo Mondon/Winter, 2018), o Brexit teve na ansiedade masculina branca ( white male anxiety ) uma forte dimensão, considerando que a precarização das condições económicas da classe operária branca age sobre alicerces da masculinidade associados ao sustento da família. Por outras palavras: uma percentagem elevada dos votantes no Brexit foram homens brancos de baixos rendimentos que acreditaram que a sua precarização resultou da presença migratória, o que configura uma interpretação simplificadora da economia mundial. Noutra geografia, o crescimento da AfD na Alemanha segue o mesmo percurso. Como refere Christian Pfeiffer (2017), criminologista e antigo ministro d...