DO MANDADO INTERNACIONAL A PUTIN

Tendo a Rússia se retirado da jurisdição do Tribunal Penal Internacional (TPI) – estatuto de Roma –, o mandado de captura de Putin por parte do TPI não produz efeitos jurídicos, destinando-se a fins políticos, como mecanismo simbólico de condenação ao regime do Kremlin. Sucede que este procedimento serve mais os interesses russos do que a paz, já que permite reforçar a narrativa russa de civilização acossada pelos interesses americanos e pelo modo de vida globalista ocidental. Perante o facto dos republicanos preferirem Putin a Biden e a vontade de que os EUA abandonem o conflito, visto por eles como uma questão europeia, como ficará o conflito? Irá a Europa converter a sua economia numa economia de guerra, abrindo mão do Estado de bem-estar social, para apoiar a Ucrânia e, no fim, varrida a miséria ver o seu projeto extinto às mãos de governos de extrema-direita eleitos por desespero? Quem julga que todos os males do mundo são culpa dos EUA, convém começar a ter o realismo de compreender que um abandono dos EUA da equação implica entregar a Ucrânia à Rússia, e com ela outros países do leste, permitindo o regresso do czarismo e da Grande Civilização Russa. O problema não se resolve com hashtags ou cancelamento.

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