A Montra do Império
A presença africana na cidade de Lisboa e outros lugares do país (segue de exemplo o Paço dos Negros da Ribeira de Muge) é marca inegável da História nacional, meticulosa e ideologicamente negada sob o compasso da memória coletiva racializada. Escravidão, irmandades negras, autos da Inquisição, profissões como vendedeiras, limpa-chaminés e tantas outras, são elementos que provam a marca africana na História portuguesa no seu próprio solo, pese todo o esforço de apagamento intencional dessa memória. A novidade da presença africana que a reportagem da SIC mencionou tem um viés temporal adstrito ao Estado Novo. Na cidade do Porto de então a presença de negros era uma raridade. Memórias familiares contam que se considerava sinal de bom presságio o avistamento de um negro na Invicta dos anos de 1950. Portanto, no caso das exposições de negros, fenómeno comum na Europa de então, o elemento exótico da "raridade" era um ativo importante e real. A profunda marca do racismo, do deter...