E agora, Brasil?
A prudência tende a ser contrária à ansiedade do comentário, cujo primeiro impulso é o de vaticinar resultados. Há uma verdadeira hipótese de Lula ganhar, mas não creio que o faça por uma margem significativa. Na verdade, nem estou absolutamente seguro da sua vitória. É preciso ouvir as pessoas nas esquinas da vida, depois da declaração oficial para sondagem. O voto envergonhado, feito de preconceitos, sugestões do pastor, pressões do patrão, e partilhas de WhatsApp, tem uma inclinação bolsonarista. Precisamos ter presente que o preconceito contra o nordestino, o racismo, o apontar do dedo para o lado como julgamento moral, a busca por uma nostalgia imaginada e fabricada da gloriosa nação, o medo do crime, a batalha moral evangélica, possuem força psicológica e social inquestionável. Poderá ser uma cautela injustificada — as manobras eleitorais e as geografias que estão em disputa recomendam que assim seja — mas até ao lavar dos cestos não se fazem festas. E mesmo depois de tudo, ainda...