Ideologia ou Identidade de Género?

Por mero acaso acabo de esbarrar neste texto no Observador. Há que reconhecer, em primeiro lugar, a qualidade da argumentação, mesmo que se discorde da mesma. E em boa parte discordo, pelo facto de absolutizar a perspectiva ocidental judaico-cristã sobre biologia e género. Quando digo absolutizar refiro-me a um olhar etnocêntrico que pressupõe que os padrões civilizacionais ocidentais são a medida do humano, que são universais. Ora, não são. São válidos no nosso canto do mundo para um número alargado de pessoas, e foi sobre eles que se construiu a nossa identidade civilizacional a partir das ruínas do Império romano e do mundo cristão que se seguiu. Em segundo lugar, assume que o género se constrói em relação estreita com a biologia, com os órgãos genitais. Retomo, se isso é válido no Ocidente não é um dado universal, razão pela qual, ao contrário do pensado no texto, o género é uma construção social. Sobre a questão do ensino da identidade de género às crianças, há que referir que tal não acontece no I Ciclo, mas somente a partir do segundo. Pode-se argumentar que é demasiado cedo para debater tais questões. Aí estou de acordo. Mas não subscrevo a ideia de que é uma ideologia, aceitando antes como uma teoria científica que se baseia tanto na diversidade cultural humana quanto na experiência plural de ser.

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