Brasil num clima tenso
A situação no Brasil permanece tensa. Bolsonaro fechou-se em casa por 20 dias, deixando a vida política e social do país à solta. Por todo o Brasil, as manifestações pedindo uma intervenção militar não arredam pé, alimentadas e alimentando um clima de conspiração golpista que reivindica fraude eleitoral. O PL, partido de Bolsonaro, entregou um pedido de verificação dos votos, com base num estudo de uma consultora externa privada, que levanta suspeitas sobre determinadas urnas, mas apenas no segundo turno eleitoral, o que expressa uma seleção de factos para compor uma narrativa de fraude e legitimar um golpe militar, que teima em não ter lugar, graças ao bom-senso das chefias militares do país.A alienação bolsonarista é uma ferida aberta no país, enraizada nas mais variadas teorias conspiratórias, preconceitos e fobias, em nada dizendo respeito à Democracia e ao Estado de Direito. À medida que se for aproximando a tomada de posse de Lula, o clima deverá agravar-se e podemos esperar escalada de uma violência que já está no terreno, com ataques a camionistas que recusam a paralisação. O objetivo é claro: impedir Lula de tomar posse ou criar um clima de impossibilidade de governação, levando à necessidade de um regresso da ditadura militar.
Entretanto, na Europa, certos conservadores e os populistas de direita fingem não perceber que Bolsonaro é a expressão de uma vontade autoritária e teocrática para a sociedade brasileira, concentrando no combate a Lula como um combate à esquerda, apagando o evidente facto de que a sua plataforma política inclui o centro-direita.
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