Um país comovido com a bola

O caso Cristiano Ronaldo é profundamente revelador do carácter nacional. Em primeiro lugar, Ronaldo sempre teve portugueses desdenhosos dos seus feitos desportivos, típicos invejosos que não podendo chegar ao sucesso não querem que ninguém lá chegue. Segundo, a comoção nacional por este enfrentar aquilo que todos os atletas de alta competição enfrentam — o fim da carreira em idade precoce — é sintoma de um messianismo estrutural, em que procuramos sempre alguém para elevar e divinizar. Terceiro, tal comoção com o processo de degradação natural em que se passa de titular a suplente, não teve paralelo com o duvidoso caso de compra de silêncio numa noite de sexo em Las Vegas, explicitando que aos nossos heróis nada se lhes pega. Quarto, as horas que se perde a falar de um jogador de futebol que em campo já não tem o mesmo rendimento, mas que é pecado estar no banco, revelam que o país dos três “f” está de boa saúde. Esta excitação e vigilância precisa ser levada para outros temas estruturantes da nossa sociedade. E para praticar, que tal uma comoção com o indiciado esquema de pagamento de salário a Fernando Santos?

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