A Esquerda Messiânica.


Muitos dos pensadores da nossa Esquerda, e cito para linkar, Daniel Oliveira e Tomás Vasques, nas suas mais recentes crónicas, trazem a crítica e a consciência de que a Esquerda vive habitada de partidos e movimentos que se debatem entre si mais do que pelejam por uma sociedade mais justa, igualitária, pela defesa do Estado Social e contra o capitalismo que salva os bancos nem que para isso mate as pessoas. Isto é tudo bonito de ser dito, é um facto, mas é preciso que as palavras se tornem motores de ação. Quando Daniel Oliveira relembra, e bem, "A Vida de Brian" dos Monty Python, esquece-se que ele mesmo está empenhado numa alegoria à alegoria. Para o mesmo espaço político temos o decadente Bloco de Esquerda, o Movimento 3D, o LIVRE e um orgulhosamente só e mais radical Partido Comunista Português. 


Ora, este sentimento messiânico que habita a esquerda é problemático, porque ao mesmo tempo junta a escatologia ao messianismo e faz do espaço político à Esquerda um lugar de religiosidade tremenda. O "eu é que sou a Esquerda" que faz do PS o arqui-inimigo, é uma vitória premanente para uma Direita muito mais bem empossada de realpolitik, que joga os jogos das alianças e que tem com isso margem para aplicar o seu modelo de sociedade, lesando severamente a classe média que deveria ser o sustentáculo do país. A Esquerda continua a ser inimiga de si mesma. 

Comentários

  1. Esqueceste-te da primeira cisão do BE que, ao contrário do 3D e do Livre já é mesmo partido: o Movimento Alternativa Socialista.

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  2. Ora, de esquerda ou de direita, o tuga é pomposo, gosta de plumas e lantejoulas, é vaidoso !

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