A Vitória do Syriza. Horizontes para um amanhã europeu.
A vitória do Syriza abre portas a uma nova Europa? Não necessariamente. Demasiados fatores deverão ser tomados em conta e muito jogo político estará agora a começar. Há um mantra na União Europeia que afirma a necessidade dos gregos cumprirem os seus deveres. Não será pelos gregos que a Alemanha abrirá mão do seu projeto, o qual é a fatura de ter aceite fazer parte de uma moeda regional. Os alemães padecem de um egocentrismo francês tornado pragmático, sendo muito pouco dados a pensar fora de si mesmos e do seu velho «espaço vital». Não adianta os especialistas virem dizer que afinal a austeridade é um péssimo caminho, um dos muitos erros cometidos por políticas de gabinete, a começar pela moeda única que pretendia nivelar pelo marco alemão uma série de países a diferentes tempos e realidades socioeconómicas.
Não obstante, e a menos que o Syriza pós-eleito se torne num partido moderado e negocial, certamente que o jogo de poderes europeu irá mudar. Irá a Grécia permanecer na União Europeia? Irá abandonar a moeda única? A Grécia será, daqui em diante, um palco de muitos exercícios laboratoriais. Muitos países estarão de olhos no rumo grego como ensaio para futuros caminhos alternativos. A Alemanha desengane-se se julga que poderá manter a Grécia em rédia-curta. Os gregos não são os portugueses, isso já se viu. Ademais, os gregos não olham os empréstimos europeus como dívida a ser paga a elevados juros, pelo contrário, trata-se, sim, da sua perspetiva, da restituição do empréstimo que a Grécia concedeu à Alemanha pós-II Guerra Mundial. E esta é uma interpretação diametralmente diferente. Acresce que os gregos não olham para a austeridade e a salvação dos bancos e da dívida dos privados com o encolher dos ombros luso, para eles trata-se de uma afronta real ao povo real. E tornaram-no muito claro, nas eleições de ontem.
Olá,
ResponderEliminarGosto muito da sua escrita. Tenho um blogue onde escrevem muitos autores. Quer juntar-se a nós? Pode escrever sobre o que quiser e quando quiser. O blogue fica em http://odisseianainternet.blogs.sapo.pt (http://odisseianainternet.blogs.sapo.pt)
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Cumprimentos,
Carlos Costa.
Os gregos não são os portugueses? Pois não, antes fossem para bem deles!
ResponderEliminarRestituição de empréstimos ? Com base no Direito do planeta Júpiter ?!
Salvação dos bancos e da divida dos privados? Mas em que planeta é que o senhor vive?
Os bancos portugueses já lhes perdoaram mais de 700 milhões de euros, coisa que nunca fizeram ao estado português (diz o roto ao nu ..) e a divida grega já não está na posse de privados mas sim nos bancos centrais dos estados membros da União. Se não pagarem são os desgraçados dos portugueses que vão perder mais de 1000 milhões de euros (diz o roto ao nu ..)
Abençoada iliteracia económico-financeira !