Adoção chumbada, um país ainda a assoar-se na gravata
Há um problema de conjugação de cores e padrões entre uma sociedade globalizada e os brandos costumes historicamente enraizados. Na via das dúvidas joga-se pelo seguro.
A adoção por casais homossexuais foi chumbada no Parlamento. Há razões políticas e sociológicas que o justificam. Em primeiro lugar, os motivos políticos são claros: há eleições à porta e a direita em exercício de (decadente) governo, com margem mínima eleitoral, não quer melindrar o seu eleitorado mais fiel, na ínfima esperança de manter o lugar, ainda que branda "que se lixem as eleições". Não há espaço para manobras para cativar o eleitorado volátil. Os setores conversadores e os homofóbicos são uma fatia importante do eleitorado de direita. Qualquer taxista de Lisboa [nota: estereótipo em uso como alegoria] dirá que os "maricas" não têm nada que ter filhos. É claro que esquecem dos milhares de homens casados e com filhos que optaram por se manter a si mesmos no armário. Ora, isto leva-nos aos aspetos sociológicos (fortemente imbricados aos políticos). Portugal é, ainda, um país com enormes tiques rurais, de comodidade religiosa, e brandos costumes. Nesse sentido, a questão revela-se uma "pescadinha de rabo na boca", porque o medo das eleições leva os partidos de direita a reconhecer estes dados sociológicos e a rejeitar tirar-lhes o tapete. No fundo, bem dizia Alexandre O'Neill, "País engravatado todo o ano e a assoar-se à gravata por engano".
»» obrigado equipa SapoBlogs pelo destaque a este postal.
...é a MERDA de (des)governo que temos! comandado por jotinhas fedelhos que nunca fizeram nada na vida!
ResponderEliminarNão sou homofóbico nem rural, nem de direita, nem deista . O que é que o cu tem que ver com as calças caro senhor muito citadino e muito pós-modeno ? Porquê a citação de Alexandre O'Neiil neste contexto caro senhor bué de culto?
ResponderEliminarVem isto a propósito do controverso Projecto-Lei da adopção de crianças por casais do mesmo sexo, onde diabólica e propositadamente se confunde os direitos e o supremo interesse das crianças com os direitos dos homossexuais à adopção e/ou coadopção , como se ambos fossem indissociáveis. Fala do sofrimento destas como se a adopção por casais do mesmo sexo fosse a única alternativa para crianças institucionalizadas, esquecendo-se que o numero de casais heterossexuais que, por razões de vária ordem, quer adoptar crianças é muito superior às crianças adoptandas e que os obstáculos que enfrentam são do foro jurídico e não do foro social.
Sou defensor de todos os direitos dos homossexuais, mas eles têm que compreender que a paternidade lhes está vedada, não por um capricho qualquer, mas por uma lei natural que não depende dos conceitos, preconceitos ou vontade dos homens.
Se fosse necessário, não hesitaria um segundo que fosse - no supremo interesse das crianças - em aceitar a adopção de crianças por homossexuais; mas não é. Por isso, competir com casais heterossexuais é uma manifestação, não de um dever, mas de um "direito" egoísta, caprichoso, infantil e até esquizofrénico.
Por muito pós-modernos que sejamos, não podemos permitir esta igualdade de direitos, e, sobretudo, não os confundir com deveres. Uma coisa é a revolta natural de uma pessoa que, por qualquer motivo, nasceu cega e querer ver - porque os homens têm olhos para ver - outra coisa é querer o exercício da paternidade que é uma impossibilidade natural e não uma aberração da natureza.
Ás vezes, é com a desgraça alheia que obtemos o espaço necessário à nossa realização pessoal (tantas vezes isso acontece), mas não devemos desejar mal aos outros, por motivo algum, muito menos para realizar-mos os nossos caprichos. Se há um conflito emocional num gay ou numa lésbica por não poderem realizarem-se como pais - azar deles -, não é algo cuja culpa possam imputar à humanidade. E se algum dia forem chamados à responsabilidade de criarem uma criança, devem encarar isso como um dever e não como um direito, como é obvio, porque uma criança não é um brinquedo que se leva para casa para nos entreter (e isto é válido para homossexuais e heterossexuais).
Passar a vida a denunciar a direita de ser preconceituosa por não querer aprovar uma lei que pretende colocar em pé de igualdade casais hetero e homossexuais, ou até famílias monoparentais ( independentemente da sua orientação sexual) em matérias como a adopção parece-me, no mínimo, leviano, porque sobrepõe o direito dos adoptantes ao superior interesse dos adoptandos, e por outro lado, é também uma grande cegueira ideológico-partidária, por não respeitar o Direito Natural e não querer ver no seio do partido socialista quem não concorda com este projecto-lei, e são alguns.
Também se pode dizer o inverso: a Esquerda gosta de cavalgar politicamente tudo o que é tema fractuante, desde o Aborto à adopção por homossexuais, passando pelo casamnto gay, transsexuais, barrigas de aluguer e afins. Muito em especial o BE para subir nas sondagens, depois o PCP por solidariedade, e o PS para não perder mais votos para a Esquerda fundamentalista.
ResponderEliminarEsta é das tais problemáticas que não fazem sentido, há maneiras de contornar a lei em vigor, se as pessoas querem ter um filho adoptivo para lhe dar carinho e amor podem fazê-lo.
ResponderEliminarEm nome do amor fala-se muita merda, a sociedade descaracteriza-se ao ponto de chamarmos casal a dois homens ou a duas mulheres. quando um casal é composto por uma macho e uma fêmea, ou mostrem-nos que há milénios vivemos errados.Quando dois homens ou duas mulheres puderem conceber, vou me render. Imaginemos uma criança na escola, onde as outras não tem noção de ofensa, ao ser perguntada qual o nome da sua mãe ou do seu pai (se for adotada por dois homens ou duas mulheres). poderá ouvir das demais que será filho de uma chocadeira. Apenas para exemplificar uma história passada com o filho de dois homosexuais, quando estava no banho com um dos pais: pai a minha pilinha é pequena e a tua é grande, ao que ele responde de imediato: A minha é grande ? humm ainda não viste a da tua mãe.
ResponderEliminarPoderia ocupar-me de responder a cada comentário - que no fundo agradeço, mesmo discordando - mas não o irei fazer. Há assuntos que não vale a pena discutir porque o fosse entre visões é profundo. Basta-me apenas reforçar o que já disse noutro post anterior: andamos a ler os direitos sociais a partir de uma lenta fundada numa concepção de "natural" formulada sobre os alicerces judaico-cristãos. A naturalidade biológica nada tem a ver com a formação de noção de família. Culturas outras há em que a criança é criada numa família em que o pai tem 10 mulheres, nesse sentido seria uma família "não natural".
ResponderEliminarOs casais homossexuais devem passar pelos meus processos de adoção dos restantes casais, só assim se coloca a questão na igualdade de oportunidades. Não irei usar do argumento "mais vale casal gay do que um lar de violência", porque a questão nem é essa. O casal gay é uma família como outra qualquer, que deve ter iguais direitos. A sociedade pula e avança no confronto com os seus lugares-comuns, ou ainda andaríamos, por exemplo, a queimar na fogueira quem fosse de religião diferente.
Comentário excelente. Parabéns.
ResponderEliminarNestas questões tende-se a banalizar de facto aquilo que importa em prol as vezes de apenas se querer a toda a força evidenciar valores e orientaçoes que secalhar nem se colocariam se não fossem os proprios a se fazer notar..!!
ResponderEliminarPartilho a tua opiniao e sim o exemplo com que terminas e no minimo ,,caricato e sugestivo :!!!!
O seu argumento está muito bem apresentado e concordo absolutamente consigo.
ResponderEliminarQueria acrescentar que neste momento de grande crise económica o nosso Parlamento devia deixar este tipo de discussões para quando já houvesse estabilidade para discutir este tema com a tranquilidade e calma necessária a um tema tão importante.
Apresentado nesta altura é apenas uma maneira de entreter o Povo.
lol
ResponderEliminarGostei do artigo.
ResponderEliminarO pai pode ter 10 mulheres, e a mãe pode ter 10 homens, mas a criança (só) tem um pai e uma mãe. Se são promíscuos , isso é outra questão, porventura, moral?!
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