Minneapolis


Apesar de compreender e solidarizar-me com a raiva e a saturação face à impunidade, à injustiça e ao racismo estrutural, não acredito em ganhos reais pela via da destruição. Nenhuma luta se ganha sem um apoio generalizado. É preciso, infelizmente, convocar continuamente as consciências públicas. Ganhar a simpatia, mesmo em causas que deveriam ser por si mesmas. A lógica é simples - se a sua propriedade estiver ameaçada no meio de uma luta, mesmo que legítima, as pessoas não darão o seu apoio, mas acabarão por estar ao lado do status quo, não por pactuarem com as marginalidades que esse estado de situação representa, mas porque são lesadas pela reivindicação. É preciso compreender isso, também. Uma greve é eficaz pelo efeito económico da paralisação, não quando se acompanha de destruição. Trabalhadores que destroem uma fábrica para onde querem voltar com melhores salários, que ganho têm com isso?
Por isso, acredito na tomada da rua de forma pacífica. Acredito que um movimento de paralisação da comunidade afrodescendente nos EUA traria efeitos económicos devastadores superiores à destruição de propriedade. Acredito num ganho maior pela tomada da rua de forma silenciosa, se em cada espaço de poder e justiça (tribunais, câmaras municipais, etc) permanecessem grupos acampados, se atletas afrodescendentes se recusassem a jogar, se juízes negros se recusassem julgar, e gestos similares tivessem lugar. Em pouco tempo não afrodescendentes adeririam à luta. Uma luta que é feita em nome da justiça, da democracia.

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