Baralhar e incluir. As cartas sem género.
© REUTERS/EVA PLEVIER
Indy Mellink desenhou umas cartas sem género, incentivada pela questão: porque um rei vale mais do que uma dama? Ora, por princípio compreendo a importância da violência simbólica, dos significados da linguagem e dos símbolos na perpetuação de desigualdades. Mas isto é, também, produto de uma «nouvelle gauche» urbana, elitista, intelectual, que se encontra desligada do quotidiano, das lutas sociais e económicas. A concreta violência doméstica ou a desigualdade salarial não se resolvem com gestos simbólicos. Não é acendendo incensos, ou dizendo "querides", que os problemas sociais desaparecem. Este movimento pseudo-vanguardista começa a parecer-se com "não têm pão, comam brioche".
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