A BRANCA DE NEVE E AS SETE PESSOAS

Decorre a hipótese de os 7 anões desaparecerem da história da Branca de Neve, por motivos de inclusão. Ora, os anões fazem parte da cultura nórdico-germânica popular, como sabemos pela mitologia do Anel dos Nibelungo (embora nem sempre apresentados como tal). Esta história, recuperada pela Disney, tal como outras, pertence a esse eixo do imaginário cultural desde, pelo menos, a Idade Média, sendo, eventualmente, anterior, do período das ditas invasões "bárbaras" que ditaram o fim do Império romano do Ocidente. No meu entendimento, trata-se de histórias, contos populares e mitologias ricas que o lastro cristão no Ocidente não conseguiu apagar e que merecem ser preservados.

Noutro patamar, a batalha cultural trazida pelas políticas identitárias de esquerda e direita, quando levadas ao radicalismo impõem, forçosamente, a derrogação da liberdade e a coercibilidade de uma conduta. Neste caso, o projeto de inclusão ganha uma dimensão incompreensível, muito próxima de uma política puritana. Quando se transforma a política de inclusão como necessária correção de assimetrias e justiça social em algo absoluto, corremos o risco de esvaziar histórias, narrativas, práticas sociais e direitos de liberdade e, mais provavelmente, cair no ridículo. Em rigor, parece-me muito mais inclusiva a presença dos anões na história e bem mais preocupante seria o estereótipo da bruxa má cujas origens remontam ao combate da Igreja ao sagrado feminino e à independência das mulheres.

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