O umbigo de Putin pode ser o fim do nosso welfare state

A forma como Putin controla vários países das periferias da Rússia, como interfere no território africano, como interferiu ciberneticamente nas eleições americanas, no brexit e financiou e promoveu a extrema-direita europeia (enfraquecendo o projeto de Estado de Direito democrático liberal-social), não permite nenhum malabarismo teórico em que ele possa aparecer como alguém que está apenas a defender a integridade do seu território. Ele é e sempre foi alguém que desejou o controlo do grande espaço soviético, e que acredita num eixo oriental autocrático, com uma China capitalista e autoritária, exatamente igual ao seu regime. 


E a solidariedade que nos atravessa, quanto mais tempo a guerra durar e quanto maiores os custos sociais, poderá ser poeira ao vento das necessidades urgentes. Corremos o risco de ver esta guerra prolongar-se e trazer efeitos económicos e sociais tremendos, com custos no Estado Social que nos acostumámos a viver e a ter saudades das suas falhas. Uma instabilidade económica previsível precisa ser acautelada com uma integração europeia mais forte do que nunca, esquecendo o programa troikista dos juros de dívidas e resgates, sob pena de vermos o regresso dos regimes autoritários à Europa. Que grande vitória de Putin seria isso. 


 


 

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