Mélenchon ou de como o eleitorado é fluído

Quase metade dos eleitores de Mélenchon estão disponíveis para votar em Marine Le Pen. Eu que não gosto de classificações imediatas e simplistas do tipo "são todos racistas", vejo neste fenómeno o reflexo do agudizar da instabilidade económica e da inflação resultantes da guerra (e com vocação para piorar, numa guerra sem fim à vista e que mexe com as estruturas do mercado global de energias e bens essenciais) e com ela do ressentimento resultante de uma perceção de abandono por parte de um Estado nas mãos de uma "elite". Isto porque em momentos de maior aflição económica e social as pessoas procuram vozes de protesto sobre comida na mesa, corrupção, e culpados salientes num "outro" que embora mais frágil é visto como o que vem roubar a última bolacha do pacote. É assim que se transita da esquerda radical para a direita autoritária, na promessa de dar voz ao povo. Bolsonaro e Trump, por exemplo, souberam jogar bem consigo através da ideia de uma esquerda urbana-burguesa identitária e marxista-cultural, que através das universidades e do seu lugar de privilégio económico não representam os "cidadãos de bem".

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