A presença de Nancy Pelosi e a nova fase da guerra na Ucrânia
A presença da presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos em Kiev, colocando os EUA ao lado da Ucrânia, diante da invasão russa do seu território, abre uma nova fase nas operações de guerra e sobretudo em matéria geopolítica.
Uma das mais notórias acusações por parte dos mais céticos no apoio à Ucrânia é a de que Zelensky e a Ucrânia travam uma guerra intermediada, ou seja, de que a Ucrânia é um combatente mandatado pela NATO. É claro que este argumento desconsidera a mais primária circunstância de que foi a Rússia, ao arrepio do direito internacional, que tomou a iniciativa de invadir território alheio, colocando em causa a autodeterminação dos povos (art.º 1.º da Carta das Nações Unidas e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos).
Isto implica que é irrealista supor um caminho para a paz, neste momento, sem que a Ucrânia detenha forma de defesa da integridade do seu território e salvaguarda do seu povo. De outro modo estaríamos diante de uma rendição, o que não é um caminho de paz, mas subjugação.
Todavia, é evidente que as declarações do Secretário de Defesa americano de que o objetivo dos EUA é o do enfraquecimento da Rússia, para que isto não se repita, e a visita inesperada de Pelosi a Kiev, alimentam a ideia de que a guerra entra numa nova fase de evidentes "jogos de guerra", procurando resolver conflitos antigos, alinhamentos internacionais e enfraquecer um possível eixo asiático de neoimperialismo económico, voltando a colocar os EUA no centro do poder mundial.
Parece razoável considerar este raciocínio, o qual, contudo, não inviabiliza um outro cenário, que é o da intenção de alargamento territorial russo através de uma recuperação da grande URSS agora numa lógica czarista em torno de Putin.
O que temos, afinal, senão uma reciclagem da guerra fria, através de conflitos localizados, ameaças de armamento nuclear e uma tensão imperial que redesenha o mapa geopolítico?
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