A Hungria e a Mulher do Lar
A crise económica de 2008 foi amplamente responsável por uma forte virada populista-conservadora, baseada num ressentimento de uma classe operária (e não só) que sentiu abandonada, em razão da forte quebra de rendimentos. Essa virada populista de Direita aliada ao abandono da esquerda da versão económica para se centrar em causas identitárias (que são bolsas de ressentimentos e demandas por dignidade) deu origem ao regresso das guerras culturais, uma tensão social e política baseada em questões pós-materiais e identitárias. Desse modo, a Direita Radical Populista trouxe de volta os valores cristãos conservadores baseados numa moral social patriarcal, com um combate ao aborto, à liberdade sexual e ao feminismo. É o regresso da subalternidade feminina, da mulher recatada e do lar. É, também, uma resposta ao feminismo radical que ostracizou os homens através de uma grelha que classificou como "machismo tóxico" toda a manifestação de masculinidade. A consequência mais abrangente é a perda do consenso social em torno da democracia liberal e social. Tudo isto nos ajuda a compreender o quadro ideológico do estudo realizado pelo Instituto Nacional de Estatística da Hungria sobre os "riscos" económicos e demográficos que teria para o país um número elevado de mulheres com formação universitária.
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