O fator evangélico em Bolsonaro

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À proposta teórica de Max Weber de tipos de liderança, no quadro da liderança carismática, gosto de aditar uma subcategoria a de "messiânica", posto que ajuda a compreender, por exemplo, o tipo de liderança do atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Tendo tomado como foco de campanha as «guerras culturais», cujo conteúdo é pós-material, Bolsonaro fez da sua trajetória recente como político uma combinação entre os seus valores de sempre - máxime a nostalgia da ditadura militar e o seu regime de repressão política - e a agenda da Nova Direita ocidental, passada à peneira da realidade brasileira. É assim que o substrato religioso cristão, sobretudo evangélico, se torna o principal motor da sua campanha, opondo a família tradicional, a moral radical cristã, o patriotismo nacionalista, ao dito «marxismo cultural», uma classificação produzida pela direita radical ocidental a propósito de questões pós-materiais interpretadas à esquerda, na esteira da Escola de Frankfurt e sua teoria crítica, como seja a diversidade sexual e de género, o combate a estruturas racializadas das sociedades ocidentais, ao capitalismo, entre outras.

É, pois, nessa batalha pela identidade da «Nação» a partir de uma grelha evangélica teocrática, que Bolsonaro posiciona a sua força eleitoral, reconhecendo a forma como as Igrejas evangélicas conseguem arregimentar os seus fiéis e torná-los um eleitorado devoto. Ao apresentar Bolsonaro como o "ungido", o eleito para instaurar o reino de Deus no Brasil, o setor evangélico faz desta campanha uma luta entre o "bem e o mal", tornando o contexto político e social brasileiro tremendamente radicalizado e perigoso para a Democracia, cujas instituições são, ainda, frágeis.

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