Ucrânia e o amanhã com frio

A guerra na Ucrânia não parece ter fim à vista. Narrativas distintas sustentam uma realidade pós-verdade, em que a Rússia defende as suas zonas de influência contra a ameaça da NATO (leia-se interesses geopolíticos dos EUA) e a Ucrânia defende a sua integridade territorial, autodeterminação e valores do Ocidente. Pelo meio a realidade é mais nebulosa. A guerra é, efetivamente, um instrumento de narrativas e desinformação. Enquanto isso, o mercado reage às declarações de Putin. O inverno aproxima-se e a inflação ameaça fazer do período da crise das dívidas soberanas (Troika) uma coisa leve. Para já, muitas pessoas estão ao lado das sanções à Rússia, porque esta intervenção é uma agressão despropositada e desnecessária, que ameaça a parca paz mundial e a suave esperança do pós-crise pandémica. Esse apoio poderá, contudo, esgotar-se rapidamente à medida em que os bolsos das famílias vão sendo afetados. Na maioria do Portugal basta-nos mais um casaco para enfrentar o inverno, mas há países onde o aquecimento é uma necessidade básica e não um "luxo". A insatisfação será gigante e os partidos populistas irão saber aproveitar a contestação para ganhos eleitorais, mesmo muitos deles tendo sido financiados por Putin para destruir um projeto progressista europeu. O fim do conflito é urgente, não a qualquer custo, mas sabendo que repor o começo de 2022 é impossível.

[adenda: obrigado à equipa do Portal Sapo pelo destaque deste post]

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