O Dilema da Mudança e a Busca por Soluções de Compromisso

Todo o mundo é composto de mudança, sabemos, e o conservadorismo é, muitas vezes, o medo ou ansiedade pela falência de um mundo ou de um estado de coisas favoráveis ou, ao menos, estáveis o q.b. Todavia, a mudança sempre foi a tensão entre o que permanece e o que se reforma, a rutura que emerge na continuidade. Mas entre a suave mudança há a revolução, aquela rutura que rasga as vestes da história e pretende uma nova alvorada. Mas entre as brumas da revolução há sempre algo que fica.

Hoje, em consequência da polarização e da emergência das chamadas “guerras culturais”, num mundo em que se misturam as batalhas pós-materiais ligadas às identidades com as pós-pós-materiais (geradas pela crise de abrandamento, estagnação e baixo crescimento das últimas décadas), vivemos a apologia da reforma do mundo, apresentada sob duas perspetivas radicalmente opostas: de um lado uma esquerda intelectual ultraprogressista e revolucionária, que considera que o mundo deve ser totalmente reformado, expurgando da sociedade qualquer marca de crenças, valores, códigos de conduta ou outra, vendo na ideia de tradição uma forma de opressão, e de outro uma direita ultraconservadora, radical e populista que entende que o mundo avançou em demasia em direção ao progressismo e às causas das minorias, desejando uma reforma retrospetiva em direção a uma imagem irreal de uma sociedade de pessoas de bem, tementes a Deus e heterossexuais, onde os valores tradicionais do “antigamente” são sagrados e inderrogáveis.

Mas há ainda uma vasta população que espera soluções de compromisso, mudança com estabilidade, políticas sociais e liberdade, com base no Estado de direito democrático, e são essas que, em primeiro lugar, não podem ser defraudadas para que em segunda fase se recuperem as que se perderem para as “soluções” radicais.

© fotografia

Comentários

Mensagens populares deste blogue

31 mil novos milionários

Excecionalismos?

histómemória