Amado Jorge, e a narrativa etnográfica do romance

Tendo feito o meu percurso académico, até há um punhado de anos, em torno da religiosidade afro-baiana, teria de me cruzar com a obra de Jorge Amado, a qual, na verdade, sempre fez parte das estantes de casa e foi sintonizada televisão através das novelas. Jorge Amado é um dos expoentes da segunda geração do modernismo brasileiro, e a sua obra é realista-regionalista, sendo um retrato profundo da Bahia vivida, das suas personagens populares, manifestando uma profunda identificação com as bases populares da sociedade baiana.
Um dos elementos mais marcantes da sua obra, é a forma como realismo se expressa na fidelidade das personagens à realidade, não sendo raro personagens ficcionais conviverem com personagens reais, ou personagens literárias corresponderem a personagens reais. Quando ele fala que as personagens foram no Candomblé de Tia Massi, refere-se a Tia Massi, à época, líder da comunidade da Casa Branca do Engenho Velho. Ou quando menciona Pedrito Gordo, na verdade está a falar de Pedro Gordilho, ou quando descreve Jubiabá está a descrever Martiniano Eliseu do Bonfim. Entre outras personagens.
Na sua obra é ténue a fronteira entre ficção e realidade, sendo um profundo e incontornável contributo etnográfico através da ficção.
 

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